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Em carta datada de 30 de maio de 1931, o doador, Dr. Rocha Thury, conta como encontrou esta peça: “(…) que encontrei à margem de um riacho tributário do lago Anamã, tendo-o feito conduzir com o propósito de oferecer ao Instituto…” “(…) lastimo que somente encontra-se do pequeno vaso esta pequena parte, pois o restante foi quebrado por transeuntes ignorantes, que conduziam os pedaços dos quais pensavam utilizarem-se, como pedra de amolar”. “(…) a figura, infelizmente encontra-se sem cabeça, que foi tirada por um pescador, que servindo-se do arpão que trazia, tirou por mera brincadeira, dizendo-me que esta cabeça tinha uns raios como os do sol.” Peça da coleção arqueológica do IGHA (Instituto Geográfico-Histórico do Amazonas).

Artigo extraído da Amazoniapedia

Para uma Amazônia ciente da sua herança cultural.

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Tópicos do artigo:

1. várias respostas ao problemas atuais

2. Existe uma identidade cultural amazônica?

3. ouve civilizações avançadas na Amazônia

4. tão avançadas quanto a Grécia Clássica

5. monumentos da civilização amazônica

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1. O principal compromisso da Amazoniapedia é o de juntar os cacos do precioso pote que foi esmagado pelos tratores. O pote continha o ouro que foi saqueado. Porém, o pote, descartado por ignorância, era mais valioso que o seu conteúdo, ele ilustrava os conhecimentos de uma arte refinada e de um estilo de vida perfeitamente integrado com o ambiente de floresta tropical. Esses conhecimentos não são apenas um resgate cultural, eles revelam respostas aos principais dilemas atuais seja amazônicos, seja planetários.

Talvez seja difícil de acreditar por todos os preconceitos científicos de séculos, mas nos cacos daquele pote descartado tem a orientação sobre como solucionar a atual situação embaraçosa de sobrevivência da humanidade: captura de carbono e reversão das mudanças climáticas, agricultura sustentável com produção de alimentos saudáveis, preservação e melhoramento do manto florestal, organização social justa, práticas de governo inspiradoras…

Sabemos que isso é difícil de acreditar quando a opinião corrente da Amazônia é a de um mundo selvagem e inóspito abitado por povos primitívos. Vamos demonstrar ao longo dessa obra que a herança indígena pode revelar uma resposta genial a todas as questões urgentes da época atual. O sonho utópico agora é o de resgatar esses antigos conhecimentos e reintegrá-los no nascimento de uma nova civilização genuinamente amazônica.     0022

2. Existe uma identidade cultural amazônica?

A resposta à essa pergunta é o fio condutor da Amazoniapedia. Apenas sabemos com certeza que não queremos criar uma simples lista de verbetes. Assim como procuramos integrar os dois idiomas, português e inglês, para que ambos usuários possam experimentar a outra linguagem, da mesma maneira queremos que cada artigo possa fermentar no caldo da floresta e das tradições pré-colombianas. Porque?

É simples: ali é onde tem o que precisamos saber sobre esse bioma quase desconhecido para nós, não destruíndo-o, como estamos fazendo, mas enriquecendo-a sempre mais, como os povos nativos faziam.

É como a preparação de um fertilizante orgânico. O que para alguns é lixo descartável, para outros é ouro. Restos de frutas e peixes, folhas, esterco, urina e outros resíduos, são hoje rejeitados, misturados com substâncias  tóxicas e esquecidos em “aterros sanitários”, verdadeiros abismos de contaminação. É urgente que cada um de nós assuma a responsabilidade dos seus dejetos. dando-lhe o devido tratamento, assumir que a pilha do composto é o sábio caminho dos ancestrais. Após um determinado período de várias reviradas, após a adição de carvão ativo, conseguimos um húmus rico e nutriente, suporte para o crescimento de plantas saudáveis.

Aquilo que estamos dizendo é o que fazemos como prática diária de vida. Nossa casa é na floresta, alí produzimos quase todo nosso alimento e as técnica que utilizamos são os fragmentos de uma sofisticada tecnologia agrícola de um passado amazônico remoto e quase esquecido.     0113

3. Conhecimentos surpreendentes vem aparecendo sempre mais, demonstrando que é preciso estudar o passado na Amazônia. À luz dessas pesquisas, a região não é mais uma terra inóspita povoada por poucas tribos de índios selvagens e primitivos, como sempre acreditou-se. E melhor ainda, essas tradições não são apenas o motivo de exposições etnológicas nos museus urbanos, elas representam um futuro sustentável para a Amazônia e para o planeta como um todo. Isso pode parecer exagerado, mas não é!

Além dos muitos preconceitos, antigos e recentes, alimentados por uma mídia sensacionalista em busca apenas de lucros, vem aparecendo nas mais recentes pesquisas uma civilização antiga que tinha uma interação equilibrada com seu ambiente natural. Em quanto nossa civilização mergulha no aquecimento global e na extinção em massa, um farol aparece no horizonte escuro mostrando um caminho mais inteligente.

Trata-se agora de reconhecer, com humildade, que não somos o grau mais avançado de civilização. Apesar de possuirmos uma tecnologia aparentemente muito sofisticada, temos dúvida que este tipo de tecnologia seja realmente benéfico ao ser humano. (Ver artigo ‘Antes da História’).     0114

4. Numa analise nem muito profunda porém sem preconceitos, tudo indica que as civilizações indígenas pré-colombianas eram mais avançadas que aquelas dos seus conquistadores. As civilizações da Amazônia, por exemplo, elas foram comparadas à Grécia Clássica. Como as admiradas democracias helênicas, eram organizadas em Cidades-Estado independentes, com milhares de habitantes e uma agricultura extremamente sofisticada. Cada uma delas com sua marcada personalidade, rituais sofisticados, organização social compacta. Eram tão diversificadas quanto o ambiente natural que os cercava: de uma sociodiversidade descomunal. Eles utilizavam já a borracha da seringueira. Enterravam um pão de mandioca na floresta, para ter uma reserva em suas viagens e onde ficou por milhares de anos. Até hoje, quando encontrado, é tão comestível como quando foi feito. Essas civilizações eram tão refinadas que, ainda hoje, poderia dar a resposta para muitos desafios da nossa própria civilização. A captura do carbono do ar e o armazenamento no solo, alimentação saudável, medicina para cura, educação ecológica…

Ou seja, o carbono que liberamos no ar, na nossa febre de crescimento, provocando efeito-estufa, isso pode ser estocado no solo para melhorar a fertilidade (terra preta*). Sim, os povos do passado amazônico, já aplicavam uma sabedoria que pode socorrer o impasse ambiental do nosso mundo… e, lembre, não é só isso,: eles não tinham prisões, a riqueza era distribuída entre todos, cultivavam a alegria e o bem-estar, e as futuras gerações…     0021

5. As duas fotografias que seguem são consideradas como “monumentos da civilização amazônica*”. O conceito serve para entender que nem sempre monumentos são grandes construções de pedra, nem essas são o último significado da civilização. As civilizações da Amazônia pre-colombiana provavelmente tinham um sistema de valores que apenas agora iniciamos a entender ou talvez seja mais correto dizer adivinhar. As bibliotecas daqueles povos poderíamos chamar de memória ancestral*, transferida de geração em geração

Essa é uma informação oculta* e vale pontos para o usuário envolvido* na evolução do sentimento amazônida*.     0463

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Atualização mais recente: 4/17/2017 3:53:02 PM

 

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